ratobranKo post #1

No dia 4 de junho de 2011 a galeria A Gentil Carioca, inaugurou a exposição Cabelo Apresenta Mc Fininho e Dj Barbante no Baile Funk (Gentil) Carioca, com obras do artista Cabelo e curadoria do artista Raul Mourão. Para celebrar a abertura da exposição foi organizado um baile/show que contou com a discotecagem dos Djs Artur Miró, Saens Peña, Nado Leal e Alex MPC além de apresentações ao vivo do Mc Fininho e convidados. Essa exposição marca o nascimento da Rato Branko produções, laboratório experimental dos artistas Raul Mourão e Cabelo e por isso o blog ratobranKo inicia sua vida postando textos, videos e fotos da exposição.

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É TUDO MENTIRA

por Raul Mourão

É tudo invenção da cabeça do Cabelo. Mc Fininho não existe na vida real, é um personagem fictício, funkeiro ancestral, animador de bailes, pesquisador musical, antropólogo das biroscas, repórter das vielas e florestas e compositor de funks. dJ barbante, seu parceiro, assistente e responsável pelas bases musicais, não existe também. é um personagem coringa que esconde os inúmeros parceiros. É tudo ficção. Cabelo saiu de sua cabeça e deixou entrar Fininho, que depois tomou conta de seu corpo também. pessoas diferentes habitando a mesma mente. troca de personalidades, caboclos, entidades, espíritos do além, forças do bem.

Na verdade a ideia da exposição funk-carioca de Mc Fininho e Dj barbante n’a Gentil começou no Cabidinho, bar 24hs que não fecha não na esquina da Mena com a Paulo Barreto. Era um grupo grande e animado ocupando algumas mesas depois da exposição do Afonso Tostes na Lurixs, Cabelo me contou que tinha uma data marcada na gentil e que queria injetar música na exposição. Partimos para a Lapa com Dado Amaral no carro para uma apresentação-relâmpago do saudoso grupo Boato. No bar Arco Íris Cabelo retomou a conversa sobre a exposição na Gentil e sugeri que ele incorporasse Mc Fininho ao repertório. Cabelo respondeu enfático: “Vamô fazê” _ e no dia seguinte esquecemos do assunto. 2 dias depois a ideia da exposição de Mc Fininho e Dj Barbante me voltou com força, liguei e convoquei Cabelo para debatermos o assunto. Nos encontramos no ateliê dele na Souza Lima na segunda dia 2 de maio e também na terça.

Matutamos e matutamos e ficou decidido que Frederico Coelho escreveria a biografia não autorizada, Felipe Scovino um texto crítico e Silvio Essinger faria uma palestra com trilha sonora sobre a breve história do funk carioca e nos deixaria também um texto. 11 parceiros seriam convocados a compor funks a partir de letras do Mc Fininho. Uma exposição com as coisas, sons e pensamentos de Fininho ocuparia a Gentil dividindo o espaço em 2 ambientes: a Caxanga de Fininho (lar/morada/dormitório/sala de estar) e o Estúdio Área de Lazer (onde o Mc grava suas músicas, recebe amigos e organiza pequenas festas). Na inauguração da exposição um grande baile/show em homenagem ao funk carioca na rua em frente à Gentil. Farra e festa. E provocação e nonsense. No final da terça, 3 de maio, começou um jogo novo e aberto, com poucas regras e muito improviso.

Os dias se passaram com o relógio em contagem regressiva atazanando nossa rotina. Um pavio curto e aceso com uma bomba no final. 11 funks produzidos em 1 semana no estúdio Jaula do Vampiro, do Rafael Rocha, no Monouaural, do Kassin e do Berna, e no computador de cada parceiro. As músicas chegaram por email. Versões, letras, correções. imagens, Aninha Tsunami, um coelho pernambucano gravador de vozes, compassos e descompassos, BPMs por telefone, arquivos wav, microfones, reverbs, dubs e cachaça. O funk ganhou vida e forma. Virou real num território de fantasia pura. Depois chegou a hora das pinturas, desenhos, objetos e fotografias. Mete tudo na kombi e parte pra gentil. Uma parede vermelha e outra preta, um desenho luminoso aparece na última hora, uma televisão toca funk (telefunken?), máquina de fumaça, cartaz lambe-lambe, fotografias da dani dacorso, o vídeo documentário “Favela on blast”, do Leandro HBL, e o “Cante um funk para um filme”, do Emílio domingos e Marcus Faustini.

Sempre enxerguei fúria, raiva e violência na obra do Cabelo. Agora vejo graça, humor, festa e farra, e também raiva e fúria como sempre. Divirtam-se com a exposição de Cabelo/Fininho/Barbante. Celebração da vida, do afeto, da alegria e contra a arte pobre, chata e medíocre que assola e emburrece nosso tempo.

PS.: Fininho manda avisar que o bagulho está só começando. ano que vem vai rolar o primeiro Festival Fininho de Funk Carioca, a Tv Fininho transmitindo 24hs de funk, disco na praça, músicas no rádio, shows pela cidade e os produtos de cama, mesa e banho…

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