QUEM FAZ

Cabelo

Cabelo - foto Vicente de Mello _72dpi

CABELO = HAIR = CABELLO = HAAR = CAPELLO = CHEVU=

 

Pra começar eu não me pertenço.
Sou cavalo do mundo.
Veículo da poesia.
E nessa condição sou muito mais um “que “do que um “quem”.
Isso que chamam Cabelo não é um só, mas vários ,
como os cabelos que nascem na cabeça.

Sou possuído por entidades, energias,
que agem em conjunto  ou separadamente.
Como um ou dois times de futebol.
A combinação dessas forças guia o corpo,
essa espécie de espaço-nave,

ou polvo, que podemos chamar de agoramóvel,
imerge em diferentes densidades,

navegando o instante. Assim vai a flecha.
Ao longo de seu curso, sua tripulação, seus tentáculos,
coletam o que encontram

e dispõem sobre o convés:
presentes pescados no fluxo sem leito .

Cabelo

Site oficial: www.cabelo.etc.br

Raul Mourão

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Raul Mourão é artista plástico, nasceu no Rio de Janeiro em 24 de agosto de 1967. Estudou na Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage e expõe seu trabalho desde 1991. Sua obra abrange a produção de desenhos, gravuras, pinturas, esculturas, vídeos, fotografias, textos, instalações e performances. Atualmente, vive e trabalha entre Nova York e Rio de Janeiro.

Construídas com diversos materiais, suas peças transitam entre dois campos opostos: o ficcional e o documental. De um lado, estão as criações puras, concebidas a partir da fantasia; do outro, estão as obras nascidas das observações do real – a cidade, o futebol, a política ou os botequins.

Nos anos 1980, Mourão faz os primeiros registros fotográficos de um elemento urbano que seria mote de sua pesquisa nas décadas seguintes: as grades usadas para proteção, segurança e isolamento em ruas do Rio de Janeiro. Dos registros, surge a série Grades, sobre a paisagem urbana, que desemboca em trabalhos até os dias atuais.

Nos anos 2000, sua pesquisa toma novo caminho, o das esculturas cinéticas. Mourão passa a criar estruturas que podem ser acionadas pelo toque do espectador. As obras são exibidas nas exposições individuais: Please Touch, no Bronx Museum, Nova York; Tração Animal, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; MOTO e Cuidado Quente, na Galeria Nara Roesler, São Paulo; Homenagem ao Cubo e Chão, Parede e Gente, na Lurixs Arte Contemporânea, Rio de Janeiro; Movimento Repouso, na Galeria Roberto Alban, Salvador; Processo, no Studio X, Rio de Janeiro; Toque Devagar, na Praça Tiradentes, Rio de Janeiro. Os trabalhos também integraram as coletivas Vancouver Bienalle; Artistas comprometidos? Talvez, na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; All the best artists are my friends (Part 1), no MANA Contemporary, Nova Jersey; From the Margin to The Edge, Sommerset House, Londres; Projetos (in)Provados, na Caixa Cultural, Rio de Janeiro; Ponto de Equilíbrio, no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; Mostra Paralela 2010, no Liceu de Artes e Ofícios, São Paulo; e Travessias, no Centro de Arte Bela Maré, Rio de Janeiro.

Como curador e produtor, Mourão organizou exposições individuais de Fernanda Gomes, Cabelo, Tatiana Grinberg, Brigida Baltar e João Modé, e as coletivas Travessias 2 (Galpão Bela Maré, Rio de Janeiro), Love’s House (Hotel Love’s House, Rio de Janeiro) e Outra Coisa (Museu da Vale, Vila Velha). Como editor participou da criação das revistas O Carioca, Item e Jacarandá. Com Eduardo Coimbra, Luiza Mello e Ricardo Basbaum, criou e dirigiu a galeria e produtora AGORA, que funcionou na Lapa, Rio de Janeiro, entre 2000 e 2002.

Lançou os livros ARTEBRA (Casa da Palavra, 2005), MOV (Automatica, 2011) e Volume 1 (Automatica, 2015).

Site oficial: www.raulmourao.com